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sábado, 23 de julho de 2011

Tempo de Malhadas-10 Agosto 1989

Mais uma preciosidade!!!!
Será das últimas daquele tempo que por este tempo vinha a malhadeira para malhar o pão. Lembram-se das grandes medas que se faziam por aí... na capela, na eira do tio Domingos da Júlia, do tio Manuel Pinho, lá em cima na eira junto à casa tio Augusto Caco entre outras. Eram medas redondas que mais pareciam encostas de palha a embelezar os eirados. Neste periodo aproximava-se o pessoal, todos para ajudar: na meda a lançar os molhos,  na malhadeira a cortar e chegar os molhos, a guiar a palha para a degranha, outros a carregar a palha e, os donos, esses como se fizesse parte do ritual, junto à maquina a controlar o cereal precioso que caía nos sacos cuidadosamente escolhidos para o acontecimento. Nada podia falhar. A máquina não esperava, o tempo era precioso e o processo tinha que ser bem encarrilhados por todos quantos apereciam. Malhadas atrás de malhadas o dia inteiro. Pairecia o  espirito de entre ajuda! Mas no final, vinha a recompensa. De quando em vez uma bela merendola! Na sombra mais próxima estendia-se a toalha no chão e espalhavam o pão centeio ou a bola de carne, o presunto, sardinhas fritas ou atum de conserva, bacalhau desfiado com cebola, omeletes de linguiça ou cebola, umas azeitonas, sem faltar o vinho e a laranjada para a pequenada...!





*este video foi gentilmente cedido por Joaquim Barreira Machado

terça-feira, 10 de maio de 2011

Boa Carga II

A nossa conterrânea Maria Luísa enviou-nos o seguinte comentário relativamente  há mensagem "Boa Carga". Dada a preciosidade do texto  decidimos publicar mensagem titulada.  O nosso muito obrigado.

"Vinde, que as batatas estão a ficar revidas (ou seria rebidas?)
Quantas vezes ouvi estes doces chamamentos, mesmo quando eram gritados e impacientes?
O fim da tarde: os guizos dos rebanhos que voltavam do monte com o Belisário (ou seria Velisário?), o chiar dos carros carregados e as vozes dos lavradores encaminhando os bois, dando-lhes ânimo.
Com as primeiras chuvas de Verão, a estrada cheirava a alcatrão molhado e quente e ao fumo das lareiras onde começava a arder a lenha oliveira...
Acabado o trabalho e quando se conseguia reunir a "canalha" à mesa, agradecia-se a Deus a refeição e todos se atiravam às batatas "arreganhadas" bem temperadas e mais qualquer coisa que servia de conduto...
Não havia novelas. Nem morangos... com ou sem açúcar... A fruta apanhava-se das árvores, às vezes quente, e comia-se ali mesmo à beira da colheita....
Havia dificuldades, mas a família era "um só".
E tudo servia para rir (e às vezes para ralhar) à volta da mesa.
A rebeldia não se aprendia na TV. Era a própria vida que a criava, entre o desassossego da adolescência e o travão dos pais (que bem se lembravam da sua).
Vinde! Doce memória, para quem tantas vezes s sentiu acolhido numa família a que chamava sua, embora o parentesco se perdesse já no tempo.
Um abraço para quem me trouxe estas recordações, que não sei quem é...
Daqui, da minha Lisboa mando um beijo para a D. Ção e o Sr. Pinho.
Brinquei com a Isabel, chorei com o Quim. Vi crescer a Lena, o Zé Luís de quem a minha mãe gostava muito porque tinha o nome do pai dela.
Afastei-me um pouco dos vizinhos mas nunca os esquecerei, nem a essa terra, fonte de todos os meus sonhos de vida e que agora começa também a ser um relicário de ternas saudades."

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Boa carga

Preparem-se os campos para a sementeira, logo logo vem a colheita!
Há uns anos atrás o cavalo, o burro ou a junta de bois eram os animais de suporte e de apoio à nossa agricultura . Os bichos eram medidos  pela capacidade de puxar o mais alto e mais pesado. Não importava ser grande. Antes ser musculado! Chamava-lhe eles "animal puxado".
Que saudades do fim da tarde... sentiamos  o chiar dos carros a regressar dos campos. Estes veículos artesanais de rodas maciças com dois buracos como olhos de bêbado, moldados pelo Sr. Mário Fernandes ou pelo Sr. Álvaro Ferreira, ou mesmo pelo Sr. António Figueiredo faziam uma sinfonia que alegrava as familias com a colheita do dia.
Que correria atrás do carro. Eh boi eh... E de caminho sentiamos o toque das pedras, a seguir prensadas pelos aros, chegavam mesmo a fazer lume. Ao longo do percurso os rodados riscavam o chão.
Chó. Descança aí que esta subida é grande. Aperta o selim.
Mais um esforço, Arre...já está quase garrano!
A mulher da casa essa esperava ansiosa pelo ranger do cocão e do chumaço no eixe.
Eram gemidos doces. Sinal que já podia meter as batatas no pote!
Chegados à casa toca a descarregar.
O dia ainda não estava findo.
Há que soltar os arreios.
Lena leva a boneca a beber à fonte da calçada.
Zé vai dar de comer aos bois.
Vinde que o jantar está pronto! Gritava a mãe.
E, a família reunia mais uma vez em volta da mesa.


Aqui temos o Zé Luis Pinto e sua irmã Lena